Resumo Clínico:
A Doença de Menière (DM) é frequentemente superdiagnosticada. Muitos pacientes com migrânea vestibular ou hidropsia secundária recebem erroneamente o diagnóstico de DM. A atualização dos critérios em 2015 trouxe maior rigor para a definição clínica.
O que diz a evidência:
Lopez-Escamez et al. (2015) estabeleceram duas categorias claras:
- Doença de Menière Definida:
- Dois ou mais episódios espontâneos de vertigem com duração de 20 minutos a 12 horas.
- Perda auditiva neurossensorial de baixa a média frequência documentada por audiometria em pelo menos uma ocasião, antes, durante ou após um dos episódios.
- Sintomas aurais flutuantes (tinnitus, plenitude) no ouvido afetado.
- Doença de Menière Provável:
- Episódios de vertigem ou tontura associados a sintomas aurais, mas sem a documentação audiométrica definitiva.
Conduta Médica:
O ponto de atenção é a duração dos episódios e a audiometria.
- Duração: Vertigens de segundos (sugestivo de VPPB ou Paroxismia) ou de dias contínuos (sugestivo de Neurite) não se enquadram em Menière.
- Documentação: Não inicie tratamento agressivo ou invasivo sem a comprovação audiométrica da perda neurossensorial em baixas frequências. A audiometria é mandatória para o diagnóstico definitivo.
Referência: Lopez-Escamez JA, Carey J, Chung WH, et al. Diagnostic criteria for Menière’s disease. J Vestib Res. 2015;25(1):1-7.