Migrânea Vestibular: O Desafio do Diagnóstico sem Cefaleia Simultânea

Resumo Clínico:
A Migrânea Vestibular (MV) é a causa mais comum de vertigem espontânea recorrente, mas ainda é subdiagnosticada. Um dos maiores entraves para o diagnóstico correto é a crença de que a cefaleia deve ocorrer durante o episódio de vertigem. Segundo os critérios da Bárány Society e da International Headache Society, isso não é obrigatório.

O que diz a evidência:
De acordo com o documento de consenso publicado por Lempert et al. (2012), para o diagnóstico de “Migrânea Vestibular Definida”, o paciente deve apresentar:

  1. Pelo menos 5 episódios de sintomas vestibulares de intensidade moderada a severa, com duração de 5 minutos a 72 horas.
  2. História atual ou pregressa de migrânea (com ou sem aura) segundo critérios da ICHD.
  3. Uma ou mais características de migrânea durante pelo menos 50% dos episódios vestibulares:
    • Cefaleia com pelo menos duas características: unilateral, pulsátil, intensidade moderada/forte, agravada por atividade física.
    • Fotofobia e fonofobia.
    • Aura visual.

Conduta Médica:
O ponto crucial para o médico é entender que em até 50% dos episódios, o paciente pode ter vertigem isolada, sem dor de cabeça concomitante.

  • Na Anamnese: Investigue ativamente o histórico de cefaleia na vida do paciente, não apenas no momento da crise. Pergunte sobre fotofobia ou auras visuais durante a tontura, pois estes contam como critérios diagnósticos mesmo na ausência de dor.
  • Diagnóstico Diferencial: A MV é um diagnóstico de exclusão de outras causas vestibulares, mas pode coexistir com VPPB e Doença de Menière.

Referência: Lempert T, Olesen J, Furman J, et al. Vestibular migraine: Diagnostic criteria. J Vestib Res. 2012;22(4):167-72.