Resumo Clínico:
Antigamente rotulada como “tontura psicogênica” ou “vertigem fóbica”, a Tontura Perceptual Postural Persistente (TPPP) é hoje reconhecida como uma entidade nosológica funcional distinta. Ela representa uma falha na readaptação do sistema vestibular após um evento agudo.
O que diz a evidência:
Staab et al. (2017) definiram os critérios diagnósticos que mudaram a abordagem dessa condição. A TPPP não é um diagnóstico de exclusão, mas sim positivo, baseado em:
- Sintomas: Tontura, instabilidade ou desequilíbrio (não vertigem rotatória) presentes na maioria dos dias por pelo menos 3 meses.
- Exacerbação: Os sintomas pioram com:
- Postura ereta (ficar em pé ou andar).
- Movimento ativo ou passivo.
- Exposição a estímulos visuais complexos ou em movimento (ex: supermercados, tráfego, telas de celular).
- Gatilho: O quadro geralmente é precipitado por uma condição que causou vertigem ou desequilíbrio (ex: VPPB, neurite, ataque de pânico), mas os sintomas persistem após a resolução do evento inicial.
Conduta Médica:
Ao atender um paciente com “tontura crônica” e exames normais (RM, audiometria, vHIT), evite o rótulo de “ansiedade” como causa primária.
- Identificação: Busque a tríade de piora: Postura, Movimento e Visão.
- Manejo: O tratamento padrão-ouro envolve a combinação de inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) ou duais, Terapia de Reabilitação Vestibular (focada em habituação) e Terapia Cognitivo-Comportamental.
Referência: Staab JP, Eckhardt-Henn A, Horii A, et al. Diagnostic criteria for persistent postural-perceptual dizziness (PPPD): Consensus document of the committee for the Classification of Vestibular Disorders of the Bárány Society. J Vestib Res. 2017;27(4):191-208.